domingo, 20 de setembro de 2009

Expo no MAM-RJ

Acabo de chegar da exposição Belo Caos, do artista plástico Jorge Guinle, no Museu de Arte Moderna - RJ.

Acabo de chegar ainda meio que anestesiado, em transe com tamanha beleza e complexidade dos quadros.

Programa altamente recomendável!

Aqui vai um link do artista: http://www.itaucultural.org.br/aplicExternas/enciclopedia_IC/index.cfm?fuseaction=artistas_biografia&cd_verbete=2263&cd_idioma=28555

sexta-feira, 24 de julho de 2009

O clube do filme


Essa é a minha dica de livro para o mês de Julho.
Confesso que num primeiro momento, achei que o autor fosse o David Gilmour guitarrista do Pink Floyd e foi isto que me fez pegar o livro na prateleira a fim de avaliá-lo. Não era o tal "leader man" do Floyd, mas achei a resenha interessante (quase tudo que envolve cinema e literatura é comigo) e resolvi levar pra casa.
Resumindo, é a história de um filho que entra em um acordo com o pai para deixar a escola contanto que eles assistam a três filmes juntos toda semana.
O livro vale pois ficamos na curiosidade sobre que fim vai dar a educação de Jesse, filho de Gilmour, que resolve largar a escola e tentar outras coisas mais excitantes na vida. Pensamos como Jesse foi corajoso em deixar os estudos e seu pai mais ainda por consentir com isso.
Pensei um pouco em mim, que conseqüências eu teria tido se tivesse tomado a mesma decisão e como teria sido minha vida caso abandonasse o ensino médio. Na época que estava no colégio, isso até passou pela minha cabeça, mas certamente não teria apoio dos meus pais. Tal possibilidade seria refutada imediatamente, sem considerações ou discussões maiores.
Voltando ao livro, o que me chamou mais atenção foi a parte do cinema. O escritor aponta detalhes nas cenas de alguns filmes e conta curiosidades sobre a produção deles, que dá vontade de correr para locadora, comprar a pipoca e se divertir em casa.
Vou tentar alugar alguns da lista do livro (sim, nas suas páginas finais, há uma filmografia) e vou procurar identificar as ideias que o autor lançou.
Tá, mas com limites. Dispenso Robocop e Show Girls.
Cada qual com sua opinião.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Hoje

Hoje, eu alimentei minha filha.
Foi a primeira vez que eu dei de comer a alguém diretamente na boca.
Foi a primeira vez que ela recebeu um alimento diferente do leite materno.
Introduzi-a ao mundo das comidas pastosas - aquelas velhas papinhas industrializadas - mesmo que eu quisesse poder oferecê-la algo mais saboroso.

De repente eu entendi o que era ser pai e viver dedicado a uma outra pessoa igual a mim, que é e sempre será parte de mim.
Compreendi qual era o meu papel em todo esse planeta enigmático e confuso. Pareceu-me que, se tive que percorrer longos e árduos trajetos no passado, foi para que todos eles pudessem me preparar exclusivamente para esse momento, para essa inocente colherada na boca da minha filha.
Que eu vivi, que eu sorri, que eu aprendi, que eu chorei, que eu lutei, perdi, ganhei, sofri, tudo e exatamente tudo para se encaixar naquele genuíno minuto.

Foram dois olhos que me agradeceram pelo piscar e ela se manteve ali, parada, entregue, frágil e impotente, tão inexperiente quanto eu, completamente à minha espera, dependente da minha decisão de lhe nutrir e oferecer mais vida às suas milhares de células.
E foi o que fiz: levei uma segunda colherada até ela. Deglutiu e sorriu pra mim com os cantos dos lábios ainda sujos. Não emitiu um som qualquer. Agarrou um dos meus dedos com sua mão diminuta e o apertou. Entendi que era um novo agradecimento e não contive as lágrimas.

Minha filha trouxe essência à minha existência banal.
Sinto-me deveras melhor, com mais otimismo e com uma enorme vontade de querer lutar pela vida de qualquer outro ser humano, no Brasil ou longe daqui.

sábado, 23 de maio de 2009

Le chat

Grafite e papel

quinta-feira, 23 de abril de 2009

É, Deus, parece que vai ser nós 2 até o final

Bolei isto há uma semana, depois de ver algumas obras do artista norte-americano Alexander Calder aqui na internet.
Hoje consegui proceder ao parto. Pendurei-a no meu quarto e fiquei olhando ela da cama, deitado, ouvindo a música Liberdade do Marcelo Camelo.
Aqui vai:


quinta-feira, 2 de abril de 2009

É

.
É.
Tá.
Foi.
Tudo.
Tesão.
Paixão.
Entrega.
Vivência.
Fanatismo.
Fidelidade.
Amabilidade.
Concordância.
Originalidade.
Experimentação.
Correspondência.
Olho e inocência.
Abraço e comunhão.
E chega ao seu fim.
Abraço de solidão.
Olho e abscência.
Degenerescência.
Perene coerção.
Agressividade.
Discordância.
Imaturidade.
Leviandade.
Fatalismo.
Carência.
Refrega.
Fissão.
Lição.
Mudo.
Dói.
Tá.
É.
.

terça-feira, 31 de março de 2009

Parametamorfraseando

Quando certa manhã Gregor Samsa despertou, depois de uma noite mal dormida, achou-se em sua cama transformado em um monstruoso inseto, e agora dentro de uma casa situada na Cidade do Rio de Janeiro.
Ainda deitado, sentiu as muitas gotas de suor que lhe escorriam vagarosamente do cefalotórax até a ponta de suas patas e reparou que sua cama encontrava-se também completamente molhada. Teria sido a agitação daqueles sonhos o motivo que o levara àquele estado de desidratação? Certamente para ele, esta seria a única explicação que cabia, já que nunca vivera um dia sequer em Praga, ainda que no verão, sob temperaturas altíssimas que lhe deixassem ensopado daquela maneira.
Olhou para o relógio e assustou-se com o fato da manhã já ter terminado sem que percebesse. Decidiu por ir à janela no intuito de ver se, por ventura, seu patrão ainda o esperava na rua, certamente tomado por compreensível impaciência. Não conseguiu entender o que avistou ali. Praga estava tão mudada, toda colorida, enfeitada. E quanta gente havia naquele asfalto em plena tarde de um dia de semana, todos sorridentes, em euforia e êxtase, bebiam, cantavam e se abraçavam com sinceridade.
Ele não conseguiu ficar indiferente diante daquela celebração do prazer e do amor. Nem quis mais perder tempo. Trancou o quarto, desceu as escadas, passou pelo corredor e, logo que abriu a porta da sala, foi puxado e levado pelo Bloco das Carmelitas. Juntou-se ali a outros insetos fantasiados, gritou, dançou e tomou caipirinhas até ficar uma barata tonta. Assim, Gregor viveu e pulou o carnaval carioca, mesmo que pensasse ainda estar em sua cidade natal.